Maat: A Deusa da Ordem Cósmica, da Justiça e dos Egípcios sem Crise Existencial
Imagine que você é um fazendeiro do Antigo Egito. Seu maior sonho é não cair em desgraça com os deuses nem ser engolido por um crocodilo gigante do submundo. Eis que surge a pergunta: quem está no comando da “balanceada existência” que evita todo o caos universal e mantém sua vida de lavoura em paz? A resposta, meu caro, é Maat.

Quem É Maat?

Maat era a personificação da ordem, verdade, harmonia e justiça na mitologia egípcia. Ela não jogava dominó nos finais de semana, mas cuidava para que o sol nascesse todo dia, que o Nilo seguisse seu curso e que todas as leis cósmicas funcionassem na maior tranquilidade. Sua presença era tão fundamental que o faraó não podia tirar férias sem garantir que Maat estava a postos. Afinal, sem Maat, vinha o caos, aquele “estrondo universal” que ninguém gosta de lidar em plena terça-feira.

Em termos de look divino, Maat é facilmente reconhecida por uma pluma na cabeça. Não, não é um acessório de Carnaval de Luxor, mas um símbolo de leveza moral: a famosa Pluma da Verdade. Se você achar que hoje em dia é complicado lidar com impostos, tente encarar um julgamento no Salão das Duas Verdades, com um deus-chacal pesando seu coração contra a pluma de Maat. Ai de você se o coração fosse mais pesado que a pena: virava banquete para o monstro Ammit, que é basicamente um pet Godzilla* do Egito.

O Simbolismo de Maat

A imagem de Maat aparece, geralmente, como uma mulher elegante com a tal pluminha. Ela representa:

  1. Ordem Cósmica: O universo arrumadinho, sem entropia zombando da sua cara.
  2. Verdade: Honestidade bruta, sem “fake news”.
  3. Justiça: Ela não era a deusa do “caso perdido”, mas da justiça verdadeira, algo muito mais amplo que um juiz interpretando leis.
  4. Equilíbrio: Não só espiritual, mas social também – refletia a harmonia entre faraó, deuses e o povo.

O faraó, para manter a assinatura premium da bênção divina, precisava “oferecer” Maat aos deuses. Era meio que entregar um “alvará de funcionamento do cosmos” para garantir que, no dia seguinte, todo mundo continuasse vivo e com os planetas nos seus devidos lugares.

Maat e o Entendimento de “Justiça”

Para os egípcios, a justiça não era só uma questão de certo ou errado no tribunal, mas um princípio universal que refletia a harmonia entre a sociedade, a natureza e a esfera divina. Respeitar a Maat significava:

  • Viver com retidão (a tal “consciência limpa”),
  • Cumprir deveres (para manter a comunidade funcionando),
  • Manter o equilíbrio (sem tretas desnecessárias e caos social).

Essa noção de justiça como um equilíbrio maior é algo que percorre o tempo. Não só no Egito, mas em várias tradições. Na Grécia Antiga, por exemplo, tínhamos a ideia de Dikê, a deusa da justiça, que também trazia a noção de ordem social – não só castigo para quem fez besteira. Platão, em sua obra “A República”, falava que a justiça era a harmonia entre as partes da alma e as classes sociais. Soa familiar? Tem um “quê” de Maat aí. E, na Roma Antiga, Iustitia (que gerou a famosa Estátua da Justiça com vendas e balança) também encarnava a ideia de equilíbrio entre os cidadãos e a lei.

Conexões Filosóficas

Além da Grécia e de Roma, podemos traçar paralelos com filosofias orientais, como o Dao (ou Tao) no taoísmo, que representa a harmonia do universo. A ideia de se alinhar ao Dao se assemelha muito ao alinhamento com Maat: tudo flui perfeitamente quando você segue o caminho natural, quando não é “mais pesado” nem “mais leve” que a pena.

  • Confúcio também falava de ordem social e moral, apontando que a virtude do governante (parecido com o faraó) era o que legitimava sua autoridade. Soa como “oferecer Maat aos deuses” para manter o povo no “eixo”, né?

Legado Filosófico

Embora o Egito tenha visto muitos impérios se erguerem e caírem, o conceito de Maat permanece como um arquétipo poderoso. Quando falamos em “justiça” hoje, normalmente pensamos em leis, parágrafos e juízes entediados. Mas, na perspectiva egípcia, justiça era uma peça fundamental do funcionamento do cosmos. No mundo moderno, passamos a olhar a justiça com uma lupa mais humana e social, mas a herança de Maat nos faz lembrar que há (ou deveria haver) um princípio de equilíbrio muito maior – seja nos tribunais, na política ou na vida cotidiana.

É quase como se Maat soprasse no nosso ouvido:

“Ei, não polua rios, não minta para as pessoas, não pique cebola perto de gente que chora fácil… Viva em harmonia!”

Respeitar Maat, nesse sentido, é respeitar toda forma de vida, entendendo que nosso papel é zelar pelo universo tanto quanto os faraós tinham de zelar pelo Egito.

Considerações Finais

Maat é, antes de mais nada, um convite à reflexão: se tudo está em harmonia, se conseguimos respeitar as forças que regem nossa existência, seja ela natural ou social, então somos dignos de um lugar bacana na eternidade (sem monstros crocodilo). Ao criar essa noção de que justiça e verdade são os alicerces de todo o cosmos, o Egito deixou pra gente um legado filosófico que repercute nos tribunais, nas religiões, na política e nos corações aflitos por respostas de propósito existencial.

Então, antes de se desesperar com as notícias do mundo, lembre-se de Maat e sua pena da verdade. Talvez isso não resolva todos os problemas do dia a dia, mas ao menos dá uma dica: viva equilibrado e seja leve. Se o seu coração não pesa mais que a pluma, tudo fica um pouquinho melhor – e sem Ammit no seu encalço.

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