Crise do Coronavirus – dicas e previsões

Uma interpretação pragmática do momento que vivemos!

O momento em que vivemos

Olha, o momento não é bom não. Precisamos admitir.
Segundo a JP Morgan, o Brasil, os EUA e o resto do mundo estão bastante ferrados.

O caixa de um restaurante é de apenas 16 dias. Uma loja de reparos, 18. Varejo? 19 dias. Construção civil 20 dias e assim por diante.

Com um respiro tão curto, é óbvio que qualquer quarentena de 15 dias equivaleria a um furacão de máxima potência exterminando instantaneamente quase que toda micro e pequenas empresa.

Falando do Brasil, como já estamos cansados de saber (segundo o IBGE), algo em torno de 38 milhões são informais. Em 11 estados, os autônomos são mais de 50% da força de trabalho, por exemplo.

O motorista de Uber, a manicure, o cabelereiro, chaveiro, etc; estão ferradíssimos, porque o caixa deles é muito mais curto que o de uma empresa. Até mesmo que um restaurante que, segundo a JP Morgan, tem um fôlego de caixa médio de 16 dias pra frente (ou seja, nessa altura do campeonato, o dinheiro já acabou).

E, pasme, apenas 11,6 milhões de brasileiros possuem carteira assinada. Num país de 220 milhões de habitantes.

Cenário geral: A crise acabou magicamente hoje. E agora?

Fingindo que tudo deu certo e voltaremos a funcionar a todo vapor amanhã, lembre-se que a partir de agora, como já temos milhões mais de novos desempregados nas ruas (independentemente de qualquer pacote do governo de manutenção de empregos), os serviços sentirão o baque de, por baixo, uns 15-20% do seu faturamento (chute meu!).

Somado a queda de faturamento, esse pessoal ainda verá chegar os boletos das contas básicas (luz, água, internet) que encavalaram, os empréstimos, fornecedores e afins que foram eventualmente renegociadas e/ou roladas. Tudo isso ganhando de 15-20% menos que antes.

Vale lembrar que, pra acessar ajuda do governo, o empresário está obrigado a estar em dia com tudo quanto é coisa, não demitir ninguém… Bem, já viu que poucos acessarão os benefícios, né?

Isso nos levará para uma segunda onda de quebradeira e demissões. Uma tristeza.

Cenário das startups

Falando de startups, meu chute de humanas é que ao menos 40-50% das startups já foram dizimadas pela crise. Não tem volta. Morreram.

Isso sem contar dos unicórnios que certamente cortarão centenas de colaboradores, logo. Se você é um funcionário mamador de teta de unicórnio, já te adianto: você será um dos primeiros a ser cortado.

Beleza, mas e agora?

O que eu faria/farei com clientes em dificuldade

Olha, se você já tem uma carteira de clientes, eu te garanto que é mais barato permitir que um cliente não pague 2 meses de mensalidade que deixar ele ir embora por inadimplência. Ou alguma coisa parecida. Não cancele contratos e também não deixe que seus clientes cancelem por causa do momento delicado. Ofereça opções, faça as contas: melhor perder 2 a 3 meses que perder toda a renda e relacionamento que esse cliente pode te proporcionar.

Sobre clientes, também tome cuidado com os espertalhões. Tem uns caras que já saíram ligando e pedindo cancelamento sem multa, coisas do tipo, escorando no momento delicado que vivemos. Saiba discernir se o seu cliente está genuinamente desesperado ou se é um sem vergonha aproveitador barato.

Time, um dos maiores dilemas

Pra falar disso, eu preciso trabalhar o Lado B e o Lado A. É o mesmo dilema saúde/economia em debate no momento.

Lado B: Você precisa preservar o caixa do negócio o máximo que der, certo? Sendo assim, se vê obrigado a enxugar agressivamente para garantir a sobrevivência do negócio o máximo de meses possível.

E você tá certo, tem que pensar nisso. E, claro, ao pensar nisso, olhamos pra nossa folha de pagamento e já puxamos a calculadora pra saber quem e quantos cortar.

Infelizmente, nenhum negócio estará imune a isso e, além dos meses sem faturar, pode acontecer sim uma queda de faturamento (no cenário negativo), o que te obrigará cortar na “carne”.

Lado A: Somos humanos. Se você demitir geral apenas olhando uma planilha, provavelmente tem algo de muito errado dentro de você.

Tente equalizar as coisas, negociando redução de salários temporária, menos benefícios por um tempo, enfim, tudo que for possível ao ponto de transformar demissões em última e definitiva fronteira.

Lembre-se que quem você demitir hoje, vai demorar fácil uns 3-6 meses pra se reempregar. Melhor conseguir chegar num caminho juntos pela manutenção do emprego que jogar o colaborador na vala.

O que eu faria/farei com meu dinheiro

Se todo o cenário do momento é que o dinheiro sumiu do mercado, preciso tratar meu dinheiro com o triplo de cuidado. Gastar pouco, gastar bem, gastar inteligente.

Resumindo, ser um muquirana sem vergonha mesmo, afinal cada centavo conta, e muito.

Há muitas linhas de crédito, benefícios, etc; por parte do governo para esse momento de crise.

Portanto, antes de demitir todo mundo e declarar falência do meu negócio, eu estudaria profundamente todos os pacotes anunciados e ver onde meu negócio é elegível.

Isso pode fazer toda a diferença na manutenção de time, fornecedores e da própria empresa.

O que eu aprendi com a NASA e que você também pode aprender

A NASA, antigamente, recebia um orçamento de X milhões. Por exemplo, 10 milhões. Daí, ela pegava esse valor inteiro e torrava 100% num projeto só, tipo num foguete pra lua, por exemplo.

Bem, se ela gastava 100% dos recursos numa missão só, se essa missão desse algo errado, eles simplesmente perdiam toda a grana e ainda ficavam com um projeto fracassado.

Ocorreu portanto que a NASA teve um dos maiores cortes orçamentários de sua história e ela precisou se reinventar.

A partir daí, ela pegou esse orçamento muito menor, por ex, 1 milhão, e decidiu fazer diferente: Ao invés de gastar 100% num projeto, ela dividiu esse dinheiro em 10 projetos diferentes, 100mil pra cada.

Resultado: A NASA passou a ter muito mais sucesso em suas missões, etc; gastando infinitamente menos.

Essa história virou uma metodologia chamada Faster Better Cheaper. Talvez, esse seja o melhor momento para você recorrer a essa literatura.

O exército também nos ensina muito sobre improviso, sobre fazer o melhor com o que temos em mãos. Na guerra, os soldados, muitas vezes, só tinham as suas meias para usar de cuador para preparar um café. Daí, entre ter café pra se manter acordado e não ter (dormir e correr o risco de morrer), bem, que se cue o café com a própria meia.

Pra quem tá empregado, por enquanto

Se você está empregado, show! Deixa eu te passar uma mensagem importante. Aproveite o homeoffice para ESTUDAR TRIPLICADO. Saiba que cortes eventualmente chegarão e você pode ser um fortíssimo candidato, caso seja um mamador de teta de unicórnio.

A hora de se preparar, entregar, dar aquela esticada, é agora. Aproveite, senão você será apenas mais um no mar de medianos demitidos em massa nessa onda de crise.

Pra você que quer começar uma startup agora

Talvez, esse não seja o melhor momento para empreender, caso você não tenha um caixa reforçado e experiência prévia.

Se você nunca empreendeu antes, eu te diria sem medo de errar: Espere um pouco as coisas acalmarem. Não faz sentido entrar de cabeça no meio desse turbilhão, mesmo havendo um par de oportunidades.

Como eu já expliquei, o acesso a capital ficou muito escasso, a margem de erro está minúscula e, empreendendo pela primeira vez, o que a gente mais faz é: gastar dinheiro errado e cometer muitos erros.

Respira fundo e espere mais um pouco.

– “Ah, mas Airbnb, Slack, Square, etc nasceram na crise, temos que olhar os bons exemplos!” Ok, se você se sente preparado, boa sorte.

 


Autor: Matt Montenegro
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