A inteligência artificial tornou possível produzir trabalhos melhores em menos tempo.
Textos mais claros.
Apresentações mais organizadas.
Análises mais completas.
Códigos que funcionam.
Respostas que parecem ter exigido horas de pesquisa.
Mas existe uma pergunta desconfortável escondida atrás desse ganho de produtividade:
quando o trabalho melhora, quem o produziu também melhora?
Um estudo realizado com desenvolvedores apresentou um resultado provocador.
Os participantes que usaram inteligência artificial concluíram suas tarefas com mais facilidade. Porém, quando precisaram demonstrar o que haviam aprendido, tiveram desempenho inferior ao daqueles que programaram sem a ajuda da ferramenta.
Isso não significa que a IA prejudique necessariamente o aprendizado.
Significa que existe uma diferença entre usar inteligência artificial para eliminar o esforço e usá-la para qualificar o esforço.
Se pedimos uma resposta pronta, podemos receber um resultado excelente sem compreender o caminho percorrido.
Se pedimos que a IA questione nossas premissas, explique suas escolhas, apresente alternativas e critique nosso raciocínio, a experiência muda.
A ferramenta deixa de ser uma máquina de respostas.
Torna-se uma parceira de investigação.
Essa diferença será cada vez mais importante.
Durante muito tempo, a qualidade do trabalho funcionou como evidência da competência de quem o produziu. Um bom texto indicava domínio da escrita. Um bom código sugeria conhecimento de programação. Uma apresentação convincente revelava capacidade de síntese.
Agora, essa relação ficou menos evidente.
Uma pessoa pode produzir algo extraordinário sem conseguir explicar as decisões presentes naquele trabalho.
Pode entregar mais sem aprender mais.
Pode parecer mais competente enquanto se torna mais dependente.
O verdadeiro risco não é a IA fazer parte do nosso trabalho.
É deixarmos de perceber quais capacidades estamos terceirizando junto com ele.
Por isso, talvez seja necessário adotar um novo critério para avaliar o uso da inteligência artificial.
Não perguntar apenas:
“O resultado ficou melhor?”
Mas também:
— Compreendi melhor o problema?
— Descobri alguma coisa que não sabia?
— Consigo defender as escolhas realizadas?
— Seria capaz de reconhecer uma resposta equivocada?
— Estou desenvolvendo uma capacidade ou apenas alugando uma?
A melhor utilização da IA não será necessariamente aquela que exige menos participação humana.
Será aquela que torna a participação humana mais inteligente.
A produtividade nos ajuda a concluir o trabalho de hoje.
O aprendizado nos prepara para enfrentar o problema de amanhã.
Se a inteligência artificial produzir respostas melhores, mas nos tornar menos capazes de formular perguntas, teremos automatizado o resultado e empobrecido o pensamento.
O futuro não pertencerá apenas a quem souber trabalhar com inteligência artificial.
Pertencerá a quem conseguir utilizá-la sem abandonar o próprio processo de aprender.
Porque a pergunta decisiva não é se a IA tornou o seu trabalho melhor.
É se, depois de trabalhar com ela, você também ficou melhor.
…
Eu sou Luiz Guedes, founder e CEO do Grupo EPIC, especialista nas Novas Gerações. Por meio da Edtech.cool, ajudamos escolas, universidades e empresas a inovar seus conteúdos educacionais para um mundo cada vez mais dinâmico e inovador.
